MEMÓRIAS / Rotinas Do Meu Tempo de Menina

Na constância 
dos meus dias
Ventilo memórias
belas
Nas janelas
abertas
da minha infância. 
 
O canto dos pássaros 
Nos ondulantes trigais
dourados
Dos voos repentinos, brutais
sustos apanhados.

No restolho imenso
O cheiro intenso
De mansinho soprado
pelo vento suão, abafado.

Entre vermelhos
me vejo
No desejo
de papoilas apanhar
aos molhos
em doidice
À tarde, a brincar pela planície.

Ao sol queimante
Em labor constante
Por entre o dourado da seara
E o vermelho das papoilas
Avisto o chapéu preto
Do meu herói secreto
Que de foice na mão
Anda a colher o pão.

De  lenço a aparar
O imparável fio
gotejante do suor
Saído da força do seu labor.
Rompe o afago da sua voz
No escaldante  silêncio do estio
Com alegria
Grita-me "estou aqui"
Por entre o ceifar veloz
Na planície à calmaria.

Em imparáveis solvos
Do cocharro
Ou da enfusa de barro
Pela garganta
A água passa e canta-lhe
E a sede lhe mata.

Há um sorriso no olhar
cansado
Mas...esperançado
No bom resultado 
Da ceifa lhe dar
Quando  na eira 
a colheita debulhar.

Este árduo trabalhar
Da pele queimador
Salta-me à vista
Entre suor e  amor
Punhados de dureza
Para o pão pôr na mesa.

Rotinas do meu tempo
de menina!

Tanto orgulho de ti meu pai!❤️

✍️Maria Saudade 🌻

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