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A mostrar mensagens de novembro, 2025

NA DOR

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O coração, pede-me: " não vás atrás do orgulho!" A voz sábia que ecoa cá dentro, diz-me: "preserva-te!" O espírito divino ou não, aconselha-me: "solta o que te feriu e não lhe abras mais a porta!" Assim, caminho com resiliência, no dilema dos dias.  Em silêncio, na abundância de diálogos internos, tento dissolver a raiva, a mágoa e a minha dor, no solvente das lágrimas. Será este, o caminho para alcançar o perdão, expresso pelo meu coração?! Na distância de refazer o laço perdido, eu, apenas almejo a minha libertação e ficar em paz comigo. Maria Fernanda Ramires 🌻    

A DESMORONAR

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Hoje o frio do inverno  Adentra-se em mim Talvez por já serem muitos E eu estar perto do fim. Pelo sopro e uivo do vento Caídas, vejo folhas amarelicidas E na minha velha alma sofrida Da jornada, oiço vozes de lamento. No correr dos dias, ao acordar  Já deixei de ouvir o passarinho, a cantar As flores que salpicam o caminho Também, deixei de as contemplar. Desmoronada, aqui estou sentada De corpo dorido e incerteza na alma Em desassossego, à espera  De mais uma primavera chegar Na expetativa de a poder abraçar. Maria Fernanda Ramires 🌻 

INCERTEZA

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Hoje o frio do inverno  Adentra-se em mim Talvez por já serem muitos E sentir-me perto do fim. Pelo sopro do vento Vejo só folhas amarelicidas  Caídas  E na minha alma sofrida Só oiço a voz do lamento.  Deixei de ouvir, ao levantar  O passarinho  a cantar As flores do caminho Deixei de as contemplar. Aqui estou sentada No sofá da sala Com desejos Da primavera chegar Sem a certeza   Se lhe chego a acenar. Maria Saudade 🌻

SAUDADE

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Ouvi, do mar o seu cantar Senti, o cheiro da maresia Fechei os olhos, vi trigais a ondular  Semeados, em planícies de melodia. Com os olhos tristes, a marear O peito apertado em saudade Um "não-sei-quê" a desesperar Por um encontro, envolto em realidade. Tenho nos olhos, o vermelho da papoila e a alvura do monte No coração inconformado, uma dor dilacerante Sonhos desejados... Onde ficaram?! Por aqui, estou com o olhar preso no horizonte  A pensar num passado tão próximo e quão distante... São as saudades, meu amor, que não param! Maria Fernanda Ramires 🌻   

A TUA INGRATIDÃO

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A ingratidão cega-te!  Não tens qualquer empatia por ninguém, a não ser por ti. Atos de bondade, nunca te conheci. A gratidão, não faz parte do teu ser! Não és capaz de ver e reconhecer o que os outros fazem ou fizeram por ti. Mesmo que feito mil vezes, só das falhas deles te lembras, mas nunca as tuas. O teu ego é grande a valer!  Talvez seja um super ego que faz de ti um  ser ingrato, subtraído de qualquer réstea de empatia e compaixão. Aliado da tua  poderosa -  a crítica -  de língua bem afiada pela navalha da inveja.  Deixas-te levar pela tua mente mentirosa, conflituosa e invejosa. Só a ela lhe dás ouvidos!  És vitima, transvestido de  negatividade que te destrói e suga quem está por perto e se deixa alcançar.  No argumento, vives no passado distorcido, descontextualizado. E nunca no presente.  Desculpabilizas-te  e fazes-te de coitadinho.  Tão observável no padrão do discurso circular que enfadonhamente,  nã...

SOLITÁRIA

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Fui casa, abrigo  Quase a vida inteira  De quem me desamparou  No momento que mais precisei. Marido...companheiro A quem tudo dei Sem dó nem alma Me despedaçou... Em cacos fiquei! Agora...estou Solitária Sem vínculos ou laços Apenas apoiada  Nos próprios passos Imersa em solidão  E vazio no coração. Neste amargor De imensa dor Suspiro triste Abalada...  Destroçada... Ninguém me assiste  Nem acarinha Nem quer saber! Sózinha... Estou a fortalecer Com a pouca força que em mim Resiste  Aprendi a dura lição! Dou o fora a gente ingrata Já não me deixo magoar Nem tão pouco enganar Por quem me dizia amar. Momento de horror  E de tanto amargor Que eu seja capaz Ao meio ao caos Que me assiste Rápido, ultrapassar  O que tanto me faz mal! Desejo... Em  constância Alcançar a felicidade  Poder ter No meu Ser Esperança  Serenidade  E paz Para continuar a caminhar  Sem olhar para trás. Maria Fernanda Ramires 🌻  ...

MEDIOCRIDADE DO MEU VIVER

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Chegada aqui, à fase final da minha vida tenho que reconhecer que apenas aceitei mediocridade no meu viver.  O amor não chegou a florescer. Vivi apenas, numa versão distorcida de mim, tentando encaixar-me. Sim! Nunca soube o sabor de uma relação leve com paz no coração. Nunca soube o que é ter segurança emocional do companheiro com quem aceitei partilhar a minha vida. Este, apenas me traz confusão, em vez de bem estar ao meu ser. A sua presença apenas se faz carregada de tensão, negatividade, destilando ódio que emana de cada poro. Umas vezes, veste-se de cordeiro parecendo inofensivo. Outras, de lobo mau, onde a agressividade impera. Dispara em todos os sentidos, parece uma fera! Os problemas, uns reais, mas distorcidos, outros imaginados,  na sua mente doentia e obsessiva, viram munição.  O diálogo acaba em disputa e confusāo.Tudo vem à baila para me atingir e culpabilizar. Até o que contei ou fiz num momento de fraqueza e mal estar. Sim! Tenho dançado na mediocridade...

TRIBUTO

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Tenho a raíz vincada na tua planície  Ora verde, ora dourada És meu chão, meu berço Meu Alentejo querido Na profundidade da minha alma. Abraço a respiração da tua calma Exalo perfumes de rosmaninho e de estevas No teu silêncio mergulho,  sem quaisquer reservas. Da tua paz, a saudade em mim se agiganta  As tuas paisagens parecem não ter fim Na grandiosa paixão Que o meu amor acalenta, por ti. Salpicadas de papoilas vermelhas Trigais, albergues de amor e pão Outrora, foram cruciais Hoje, estão no encanto do meu coração. Venero os teus cantes De vozes sonoros e arrepiantes Na alegria refaço e também canto Faço uso, a cada passo Da tua simplicidade e tradição Na saudade Faço jus à multiplicação Dos teus costumes. Meu Alentejo querido e mistico Sinto nas veias o correr do teu tempo mágico  Que me alimenta e seduz  Às vistas, trazes-me olhares de respeito  E liberdade na imensidão da tua luz. Oh, meu Alentejo querido És o meu tudo e o meu chão  Ergo na ...

CARTA PARA O VICENTE

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Neste dia tão especial para todos nós, para além de te parabenizar pelos treze aninhos, quero-te deixar estas palavrinhas que o meu coração pediu para te escrever.🤣🎂👏🥳 ❤️ Meu querido neto, Desde o amanhecer ao entardecer,  com o coração a saltitar-te do peito, corres feito sol e tudo iluminas. Pulula o brilho radiante no teu olhar. 🌞 Trazes guardado contigo, cumplicidade, companheirismo e muito amor para dares.🥰 Tens em ti o sorriso fácil, a ternura no olhar, doçura nos teus abraços, positividade na alma e a irreverência da tua idade que quando contrariada traz alguns amuos, mas rapidamente é superada e sanada, por um abracinho de reconhecimento.🤣 O teu mundo é feito de mil cores, afetos e tantos sonhos.🤩 Neste dia especial em que Deus te concedeu a entrada na fase "teenager",   a "velhota" faz-te este pedido: "nunca esqueças os Estudos" pois é neles que vais encontrar a "sabedoria" para dominares o "teu mundo". Eu sei que t...

CARTA PARA MIM

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Minha querida  Em modo de balanço e reflexão, hoje escrevo com carinho para ti. Quantas vezes tiveste calado a dor para dares lugar ao amor?! Quantas vezes sorriste para o mundo com o coração triste, amargurado e cansado?! És mulher, mãe, avó,  porto seguro... Acreditas que a bondade e o amor são as riquezas maiores do teu mundo. Desde sempre,  na tua vida, estabeleceste como prioridade a família.  Colocaste Todos acima de ti. Carregaste-os às costas, no colo, no coração... Fizeste por Todos, o que hoje poucos fazem por ti.  Como mãe, fizeste o melhor que pudeste com o que tinhas no peito. Ergueste as tuas filhas nos braços, no colo e no exemplo. Não com certezas, mas com afeto. Se falhaste, foi por excesso de amor e preocupação. Como mulher,  nos melhores anos da tua vida, consumiste-te até mais não. Tapaste buracos para que nada faltasse. Sentiste-te na obrigação!  Trabalhaste como poucas. Foste mãe, esposa, filha, cuidadora, estudante universitár...

ENVELHECER

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A vida conduz-nos sistematicamente a aprendizagens e aceitação. Nesta fase final do decurso da vida em que me encontro, estou a aprender a caminhar sozinha. É um processo solitário, este exercício do desapegar. Por sinal, muito difícil. Não estava preparada para isto, devo confessar. Aceitar que tudo tem um fim. Os amores, os sonhos e a minha vida. Nesta mentalização ao adeus de quem fui e já não sou e não mais serei, as lágrimas soltam-se. Jorram dos meus tristes olhos. Estou a esforçar-me e a colocar a coragem necessária, para enfrentar e aceitar, em cada dia, a degradação da minha imagem no reflexo do espelho, com a preocupação e a vontade, de nunca me esquecer de a vestir com dignidade e respeito que mereço. Em memória, do muito que já vivi e sofri. Sem vergonha e preconceitos, por mais envelhecido que o meu corpo se encontre, abraço com muito carinho e amor, em quem agora me tornei. 🖊️Maria Fernanda Ramires 🤔