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A mostrar mensagens de abril, 2026

GRATIDÃO

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Há dias em que o turbilhão de sentimentos cria em mim a necessidade de  procurar um refúgio. Procuro o da escrita. Preciso desabafar quando a saudade sobe à tona no meu mundo de memórias, e quando as dores apertam e eu não as consigo calar. Para não sufocar, sirvo-me das palavras que me elevam. Com a sua ajuda,  alivio o peso que carrego no peito... às costas... dentro de mim. Com elas, manifesto tudo aquilo de que sou feita: lágrimas; dor;  fragilidade;  coragem; esperança e amor. As palavras dão forma à minha escrita. Promovem a minha libertação e a minha paz, quando o meu mundo parece querer desabar. Gratidão!🙏  ✍️Maria Fernanda Ramires ❣️       

FOCO

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Com vontade própria e aparentes falhas, há dias em que me alheio do temporal exterior e foco-me no desejo de ser melhor, apelando à força heróica que julgo carregar na alma e às lições que a vida me tem dado. Sou feita de um inconformismo que não grita. Que me faz continuar, sem trair a minha essência. ✍️Maria Fernanda Ramires ❣️   

A Propósito de Liberdade

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Vou fazer referência a uma das formas de liberdade. A liberdade individual.  Eu, tal como os da minha geração e as gerações anteriores, fomos impactados a viver sem qualquer liberdade individual. E sendo eu rapariga, ainda pior. O "cortar"a liberdade individual era normal na escola, nos conteúdos e métodos utilizados. Na família, na educação recebida. Sempre na obediência e no medo. Era à época, "obrigatório" onde todos se conheciam, apresentar-se "sem que ninguém tivesse nada a apontar". Era uma "desonra" para a família, saber de uma filha que fosse falada na comunidade, no caso vila, por alguma coisa que "saísse da caixa". Que estivesse fora dos valores, das normas de todos os que lá viviam. A família era falada e havia rejeição. E por aí adiante... Com os meus dezasseis anos quase a fazer dezassete, deu-se a revolução do 25 de Abril. Honro-me ter vivenciado todos esses tempos que hoje fazem parte da nossa história coletiva e ...

QUANDO A VIDA ME DÓI

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Quando a vida me dói demasiado  Visto-me com roupas de coragem  No rosto, o sorriso apropriado  Enfrento-a  com tal roupagem. Há caminhos traçados pela vida  Que aceito, mas pouco entendo  Parecem mistérios que ecoam  Em dúvida... Não me perco em pensamentos, à toa. Já não quero, nem tento perceber  Como as tempestades me querem vencer  Deixei de prender a razão no meu ser Apenas necessito...de as esquecer. ✒️Maria Fernanda Ramires ❣️     

FiNITUDE

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Estendo o olhar para além de mim. Sinto no céu a tardinha serenamente chegar ao fim. (Se a minha finitude fosse assim...) Nas lindas cores quentes há uma beleza inexplicável que se adentra pela minha alma. O ponto de luz que brilha no poente reflete raios de esperança que reluzem no meu pensamento. E também... conduzem à certeza: - A finitude de cada dia acaba num sono profundo vestido com o escuro do luar, emprestado pela lua,  salpicado de pequeninas estrelas guardiãs do céu. Depois... Acorda com a intensidade  da luz  do Sol nascente, por entre o  espreguiçar das cores quentes, trazendo no amanhecer, a manhã. Para voltar de novo a desaparecer com a estrela maior no poente, no firmamento pela tardinha. Anda  de braço dado nesse ciclo eterno e ininterrupto, sempre em movimento, com a mão da misteriosa mãe natureza. Assim... morre e nasce o dia! Antes... a minha finitude assim fosse! ✍️Maria Fernanda Ramires 🌻

O TEMPO REPOUSOU EM MIM

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A foto não esconde Mostra... reflete... Aquela que agora sou O tempo me transformou  Com o seu trabalho discreto. O tempo repousou em mim Sem que eu desse por isso Num instante... Fiquei envelhecida! Mas... Ainda cá moram  vontades  E muitas curiosidades Não me dou por vencida! É  certo... Ando noutra cadência  O meu corpo mudou  Desacelerou... Mas na minha consciência Ainda se erguem Planos e muitos sonhos. Cada transformação  Trouxe adquirida experiência E enriquecimento À minha essência  Que não se extraviou Nem foi  perdida no tempo. O tempo.... Esse que não pede licença Nem se consegue combater Apenas se pode acolher  Com o precioso cuidado Nos passos  Perdidos da idade! Maria Fernanda Ramires ❣️   

TEIMOSIA

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Não me quero render  Nem ficar presa no tempo Quero viver  Como a leveza do vento Não me quero caída  No peso dos sonhos  por realizar Não vou renunciar Ao meu pensamento  Na lucidez  Da minha loucura  Nada me impede de errar E quiçá de acertar Não desejo aplausos Somente... alento. ✍️Maria Fernanda Ramires ❣️

REFLEXÃO

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Na soma dos anos, felizes os que chegam à última fase da vida: a velhice. Chegados aqui são notórias as muitas mudanças definitivas por que passamos: perdas na beleza; a memória que nos trai; a energia que se esvai; a agilidade e a destreza que vão sumindo...A  Ficamos com marcas que não podem ser escondidas ou apagadas. O tempo mata a nossa juventude. O corpo reclama e a alma também. Dói sentir tantas perdas. A velhice tira mas também deixa. Deixa presentes invisíveis: a sensibilidade que desperta para apreciar e valorizar as pequenas coisas que antes passavam despercebidas: o nascer e o pôr do sol; uma flor que desabrocha; um sorriso; uma palavra de apoio e de carinho; também faz relembrar-nos histórias de algo adormecido em nós; remete-nos para a espiritualidade e para o tempo da infância, aquela parte pura de nós. A velhice tira-nos as forças do corpo mas compensa na sensibilidade e no regresso silencioso à nossa essência. Pode mudar o nosso andar... mas nunca poderá apa...

REFLETINDO

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Os anos passam. Levam-nos a juventude e deixam-nos a maturidade com o acúmulo de experiências. A maturidade  traz a reflexão e a sabedoria para lidar com as situações da vida que nem sempre se apresentam fáceis.  Raramente a vida devolve-nos  a bondade que lhe entregamos. É hábil em não devolver na mesma medida.  Refletindo sobre a vida vivida... O que fizemos e o que deixamos de fazer, o que foi e o que poderia ter sido em forma de arrependimento... lembranças... sabedoria... Há coisas que ficaram suspensas no tempo e que nos deixaram vazios e marcas. Caminhos que não seguimos; uma oportunidade que se deixou passar;  um amor que não chegou a florescer mas que marcou; a palavra que ficou presa na garganta; outras que machucaram para além das ações... Carregamos marcas invisíveis que moram no medo que fica; na decepção e desconfiança que prevalece; a pior de todas, o trauma. Esse que nos coloca sempre em estado de alerta onde a confiança passa a ser um grande ri...

CADA DIA É UM PRESENTE

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Sentada sobre o peso dos anos, cada dia sinto-o como um presente. O meu olhar abre-se para o viver o melhor que posso e sei. Procuro sobretudo a minha paz de espírito. Todos os dias faço essa escolha silenciosa apesar de nem tudo estar de acordo com os meus desejos e espectativas. Estou a aprender a ser feliz com as pequeninas coisas do dia-a-dia. Ignoro as maleitas ou outras chatices que desejam atentar o corpo e a alma. Deixei de lhes dar prioridade.  Conforto-me com pouco. Um beijo...  um abracinho... um tempo partilhado... um olhar sem me julgar... Um tempinho só para mim... para contemplar... sentir... compreender... Estou a aprender a encarar a vida com simplicidade e leveza. Não nego a dor mas não a deixo assumir o papel principal na minha vida. Não permito que ela dite os meus dias! ✍️Maria Fernanda Ramires🌻 # Ecos da @lma#

A MINHA CRIANÇA

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Com saudade... Contemplo a criança que fui  De sorriso fácil e muita irriquietude No olhar amplo... Guardava todos os sonhos do tamanho do mundo. O tempo e a sorte  ajudaram-na  a crescer E se fez mulher vestida de forte. A criança que fui nunca me abandonou  Habita em mim e permite-me sonhar Ter marcas de muita ingenuidade  Imprimidas na capa da esperança, do amor e da bondade Com que  cubro  o modo de ser e de viver...  desta minha idade. ✍️Maria Fernanda Ramires ❣️      

OS SESSENTA E MAIS ALGUNS

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Esta jornada de grande transformação interior e exterior construída em alicerces de perdas e ausências, tem a particularidade de ser a última. De não ser passageira. Apareceu rápidamente discreta, silenciosa...  A azáfama vivida com intensidade e amor, deu lugar, no agora,  à minha permanência sem fim,  sentada no sofá diante de um monte de fotografias da família expostas na parede, cujos sorrisos ficaram congelados no tempo.  Enquanto a vida e a azáfama decorrem apressadamente lá fora... eu já não me sinto protagonista! À medida que o tempo me faz avançar na idade, habita em mim um silêncio profundo.  Ainda não sei se é um silêncio moribundo ou um silêncio contemplativo esculpido nas ausências. Ausência da vida que outrora foi repleta e de repente parece ter sumido.  Onde dantes havia falta de tempo e de espaço, hoje há  um silêncio profundo incomodativo. Silêncio que vem da vida já não ser inteira. Falta-me  movimento... sons... algazarra......

ORGULHO E SAUDADE

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Nasci no calor dos dias grandes. Dias de calmaria sob o jugo intenso de um sol ardente e de um céu contemplativo de liberdade, tal como as nuvens que o habitam, naquela região feita de extensas planícies que  outrora foi conhecida pelo "celeiro da nação". Fui parida do ventre de gente resiliente num esforço contínuo de trabalho árduo marcado pelo ritmo duro da labuta da lavoura às intempéries do rigor das temperaturas do verão e do inverno. Vim num tempo em que o silêncio da planície era interrompido pela cadência do barulho das rodas das carroças,  em que a musicalidade dos grilos e das  cigarras animavam a noturna calma do estio. Desde o nascer ao pôr do sol se sentia a azáfama que emergia da tranquilidade dos campos em que o cante ecoava  da energia escondida das entranhas das suas gentes ao compasso do trabalho com a foice ou o sacho nas courelas preenchidas de trigais  salpicadas de vermelhas papoilas. No coração guardo rostos, gestos, cheiros, palavras....

O GRITO DA LIBERDADE

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Liberdade! Liberdade! Não nasceu de acasos Houve  mortes...muitas Intentonas... Prisões... Coragem.. muitos medos... Opressões... Tantas famílias desfeitas  Por  uma ditadura tão vil! Em vinte e cinco de abril  No ano que parece longínquo  (Para mim... Foi ontem) Finalmente houve a vitória  Perfumada de cravos vermelhos  Fez-se a inacreditável história Que inesquecível manhā!  Com a senha de uma canção  Começou a grandiosa Revolução Parida da coragem e persistência  De capitães, grandes heróis  E na conivência  Do povo unido que saiu à rua Gritando a uma só voz  Cansado de ser amordaçado Sequioso... De direitos, liberdades e igualdade! Liberdade! Liberdade! Que nunca seja perdida Que nunca tenha fim Que seja sempre relembrada Afirmada... Respirada No orgulho expresso  De cada  Português Nos cravos vermelhos  Na lapela expostos  E envergados na alma Esteja sempre viva Ontem...hoje...e amanhã! Que nunca s...

DIA MUNDIAL DA POESIA

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A propósito do dia mundial da poesia, saúdo todos os poetas que com a sua inquietação dão voz à poesia.  Um bem-haja a todos! ❤️🙏 ALMA DE POETA  "Na alma do poeta ... há vários amores   Um coração partido, muitos dissabores  No olhar... um campo de girassóis sem fim E um jardim de lavanda e alecrim. Coberta de anseios... Corre na folha branca do papel,  a pena do poeta  Saem poemas soltos...rimados amores perfeitos... clamores... Ao mar, ao céu, ao sol, às flores, ao amor, à vida... Saltam em ímpeto da alma insatisfeita... inconformada ... Nesta sua forma de vida Agarra-se à pena colorida Dá voz às penas de si mesmo No amarelo dos girassóis  Pintas as dores e as alegrias  Rouxinóis... que voam da alma Em perfume de lavanda e alecrim  Envolta... Encontra a esperança a passear  Quiçá... Pelo jardim da poesia!" ✍️Maria Saudade 🌻 📷 Pinterest