É INVERNO

Pela força do inverno 
O dia nasce em protesto
Eu atrás da vidraça 
Observo a divina graça. 

Há tempestade na aldeia 
O dia veste-se cinzento 
As nuvens estão em pranto
O vento sem calma, pavoneia.

Nas ruas e vielas nem viv'alma
Estão em casa, recolhidas
As árvores, distorcidas
Imbuidas na dança do ventre
Pelos uivos do vento, birrento.

A chuva bate forte na janela
Eu observo, medito... e devota
Através do brilho das gotas
Vejo a natureza, tão bela.

Em ciclos de brevidade 
Com ou sem tempestade
Acontece uma renovação 
No ventre de cada estação.

No giro desta impermanência
Tenho a certeza da bonança 
Cansada da minha letargia 
Anseio uma efetiva mudança.

Com veleidade, faço promessa 
De renovar a minha força
Com a mão na luz da primavera 
Assumo uma sincera esperança.
.
Em cada flor brotada
Daquela semente plantada
Em amor, sem falsidade 
Vou resgatar a felicidade!


✍️Maria Saudade 🌻 
Imagem Pinterest 

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