SAUDADE

Quando me aquieto no sono, fecho os olhos e algo em mim, transporta-me para dentro daquela casa velhinha que me viu nascer e que a noite faz o favor de agigantar a saudade.
Sim! Ela está lá, cansada, à espera de mim! Não desiste e eu também não!
Abro-lhe a porta, sinto o seu sorriso de acolhimento por pensar que os seus amores voltaram. Lá vou eu, para aquele cantinho. Recordo com saudade aquele quarto de paredes altas com telhas forradas de tábuas e ao meio, uma telha de vidro por onde a luz da lua e do sol passam e uma ou outra estrela se pode descortinar. Arrumada àquela parede mais alta, aconchegada naquele colchão de espuma solta, da cama de ferro de branco pintada, bem pertinho de quem tanto me amou, ali sossego. Revejo os meus pais...relembro sons, gestos, cheiros, oiço as vozes, visualizo a labuta...
Adormeço... abraçada ao tempo que lá vivi.
Este chamamento, faz sentir-me que há algo que ainda me resta...

Maria Fernanda Ramires Custódio 
In" Memórias" 
Foto: Pinterest 


Comentários

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

CARTA PARA O VICENTE

BOM PARCEIRO

EU