RAIVA
Nao, não quero ser possuída pela raiva. Essa que emana das minhas entranhas perante as injustiças, ameaças e afrontas diárias. Que me faz gritar, transformar naquilo que eu não quero ser. Rouba-me a lucidez, a prudência e suspende-me a consciência.
Mas há dias que não a consigo conter e acedo à provocação da sua força. Bebo do seu veneno e o seu ácido aloja-se no meu coração.
Não, não quero que ela me corroa.Que desintegre a minha alma. Que me tome o espírito, turve a minha visão e obscureça os contornos da razão.
Não, não quero que as suas labaredas consumam os meus alicerces e reduzam a cinza os meus vínculos afetivos num diálogo interdito.
Não, não quero deixar-me dominar pela raiva e com ele vem o rancor.
Quero ser capaz de acolher os desconfortos e transformá-los em compaixão. Ser alquimista dos meus afetos. Viver com amor e compreensão.
Maria Fernanda Custódio 🖊️
In" Reflexão"
Imagem via Pinterest
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