FUGIR À VELHICE

No impulso derradeiro de libertação, mal me levanto da cama com o peso enorme do dói aqui, dói ali, surge-me impiedosamente a necessidade de fugir! 

Sendo maior que o peso das dores que me afligem, fujo do lugar onde se misturam sensações de vazio e quietude.

Procuro lugares onde visualize rostos, movimento, beleza e harmonia.

Algumas vezes dou comigo à mesa de uma qualquer pastelaria, em observação. 

Muitos rostos curvados perante o telemóvel, escondidos por trás das dores das suas vidas, tal como eu! 

Poucos conversam uns com os outros e muito menos se olham olhos nos olhos. 

Parecem vir à procura do aroma e sabor do café que lhes aqueça a alma mas vestidos com a capa da indiferença, porventura como eu!

Outras vezes, procuro ficar junto do mar, onde afago uma vontade imensa de respirar um outro ar e visualizar um novo horizonte que renove o ciclo repetido dos meus dias sem sentido.

Depois, volto para o lugar de onde fugi inconformada.

Com luz no pensamento e confiante de que a minha vida é para ser honrada e não adormecida. Apenas precisa de uma renovação.

Impulsionada a encontrar respostas vibro feliz por acreditar que posso viver o tempo que me resta de forma prazerosa e útil. Fugindo assim,  deste vazio existencial do tédio da "velhice".

🖊️Maria Fernanda Ramires 🌻

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