CARTA PARA MIM
Minha querida
Em modo de balanço e reflexão, hoje escrevo com carinho para ti.
Quantas vezes tiveste calado a dor para dares lugar ao amor?!
Quantas vezes sorriste para o mundo com o coração triste, amargurado e cansado?!
És mulher, mãe, avó, porto seguro...
Acreditas que a bondade e o amor são as riquezas maiores do teu mundo.
Desde sempre, na tua vida, estabeleceste como prioridade a família.
Colocaste Todos acima de ti. Carregaste-os às costas, no colo, no coração...
Fizeste por Todos, o que hoje poucos fazem por ti.
Como mãe, fizeste o melhor que pudeste com o que tinhas no peito.
Ergueste as tuas filhas nos braços, no colo e no exemplo. Não com certezas, mas com afeto.
Se falhaste, foi por excesso de amor e preocupação.
Como mulher, nos melhores anos da tua vida, consumiste-te até mais não. Tapaste buracos para que nada faltasse. Sentiste-te na obrigação!
Trabalhaste como poucas. Foste mãe, esposa, filha, cuidadora, estudante universitária, dona de casa, encarregada de educação, empregada de balcão, empregada de café, cozinheira, empregada de limpeza, professora, explicadora, gestora... Tudo, numa só!
Anos a fio, deitavas-te de madrugada e acordavas antes do nascer do sol, para cumprires as tuas mil obrigações. E apesar disso, não foste sequer o suficiente!
Como esposa, nunca conheceste o amor saudável!
Vivenciaste brigas, insultos, agressividade de quem nunca se preocupou contigo.
Suportaste injúrias, julgamentos ofensivos, maus tratos físicos e psicológicos de quem devia ser abrigo. E voltavas sempre com o perdão na consciência e a compaixão no coração.
Não passas da "má da fita" para quem esteve sempre habituado à tua total entrega e sempre colheu os frutos do que lhe pudeste proporcionar.
Até que enfim que te cansaste! Ficaste lúcida! Aprendeste a dizer NÃO. A libertar-te das amarras a que te deixaste prender!
Hoje, a doença bateu-te à porta. Não é justo! Está a pôr-te à prova!
Débil e doente, tropeças. Muitas vezes quase que tombas!
Carregas contigo dores e sofrimento que não se veem. Cansaços que só tu sabes, dentro desse teu corpo físico tão envelhecido!
Aprisionada, num labirinto sem saída, tens enfrentado em silêncio uma guerra dolorosa, entre o ficar e o desistir de tudo.
Nesta tua fragilidade, apenas tens ao teu lado, a coragem que nunca te abandonou e a mente consciente a dar-te força para que lutes até poderes, em prol da tua dignidade.
Peço-te, não desistas! Não sucumbas
às feridas abertas e cicatrizes que carregas dentro de ti!
Por favor, sem culpas e vitimismo, segue em frente! Aprende a levantar-te em silêncio e com determinação!
O teu mundo hoje é menor. Mas, tens nele mais leveza e a paz que tanto almejas e necessitas.
Abraça-te! Perdoa-te por aquilo que não conseguiste ser e agradece o que com coragem, conseguiste continuar a ser.
Até ao último dia da tua vida, serás a mulher, mãe, avó... de alma e coração.
Com amor ❤️
Eu
Fernanda❣️🌻
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