MEDIOCRIDADE DO MEU VIVER
Chegada aqui, à fase final da minha vida
tenho que reconhecer que apenas aceitei mediocridade no meu viver.
O amor não chegou a florescer.
Vivi apenas, numa versão distorcida de mim, tentando encaixar-me. Sim!
Nunca soube o sabor de uma relação leve com paz no coração. Nunca soube o que é ter segurança emocional do companheiro com quem aceitei partilhar a minha vida. Este, apenas me traz confusão, em vez de bem estar ao meu ser.
A sua presença apenas se faz carregada de tensão, negatividade, destilando ódio que emana de cada poro.
Umas vezes, veste-se de cordeiro parecendo inofensivo. Outras, de lobo mau, onde a agressividade impera. Dispara em todos os sentidos, parece uma fera!
Os problemas, uns reais, mas distorcidos, outros imaginados,
na sua mente doentia e obsessiva, viram munição.
O diálogo acaba em disputa e confusāo.Tudo vem à baila para me atingir e culpabilizar. Até o que contei ou fiz num momento de fraqueza e mal estar.
Sim! Tenho dançado na mediocridade da vida, ao compasso do conformismo em pequenas concessões que pareciam inofensivas, dando o melhor de mim.
Numa rendição silenciosa da alma, na aceitação de migalhas e numa renúncia ao que poderia ter alcançado. Foi tudo fraudado!
Hoje, chegada aqui, vivo em modo de alerta e sobrevivência, dentro do caos em que deixei ficar a minha existência. Talvez para não ser mais uma assassinada á luz da violência doméstica, a fazer manchete num qualquer jornal.
Maria Fernanda Ramires 🌻
Comentários
Enviar um comentário