EM RUÍNAS


A vida parece já não me conhecer!

Hoje... vivo debaixo da ruína que esse escultor silencioso do meu corpo, o senhor tempo, me deixou.

Vivo dentro de uma forma desmanchada, dada a cedência dos músculos e tendões, debaixo dos sucalcos de uma pele, outrora cheia de brilho, hoje sucumbida à rugosidade e flacidez do tempo.

Até o sorriso, que iluminava o meu rosto, tem dificuldade em resistir. Fatigado, amarelo, perdido entre os "pés de galinha", tornou-se também ele, cúmplice da passagem do tempo.

No meu olhar enevoado, as lágrimas soltam-se nas dores das ausências, nas memórias, nas saudades... mas também, na gratidão e na aceitação por já ter vivido imenso, no tempo.

De tudo o que a vida me proporcionou, hoje ... apenas me resta o respeito, o amor e o afeto que porventura, consegui conquistar no coração de alguém!

Sim, o tempo passa voando! Não perdoa e não retrocede. E eu, colhida na sua velocidade... tolhida... arruinada... só agora, dei por isso!

Maria Fernanda Ramires 🌻 


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