INDIFERENTE



Sinto o sabor amargo e o cheiro nauseabundo de um amor fétido, morto, dentro da alma!
Coabitar com alguém, onde o amor morreu, é viver um luto deveras difícil. Dói! Dói que se farta!

Sou viúva de uma relação de amor que subtilmente,  tornou-se moribunda.
Morreu pela doença da exaustão e pela dor das feridas expostas. Criadas e abertas na toxidade, na agressividade,  na desvalorização e na amargura.
Não há maior luto que este! 

Tenho tamanhas dores na alma, de tão maltratada e desrespeitada que tenho sido. A indiferença instalou-se aos poucos e poucos, dentro do meu âmago, procurando amainar o peso dessa dor.

Da minha boca, não saiem mais gritos de injustiça
Os meus olhos já não se movimentam em ternura. Só visualizam muros intransponíveis.
O meu coração não bate mais ao compasso do amor.
Há um vazio inerte, onde antes havia o cuidado.

O afeto faz-se desistente. O amor faz-se ausência.
Não há mais saudade, nem raiva, nem ódio...nem nada!
Não há mais falta...
Não há  mais presença. 
Apenas silêncio...  Ausência... Indiferença!

Maria Fernanda Ramires 🌻 





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