DIÁLOGOS INTERNOS

- Foi num ápice!

Não tenho dúvidas que já cá estou!

Cheguei ao desejado ou indesejado posto da velhice (não sei bem) sem dar por isso. Não sei como cheguei aqui!

- Estou com muito medo! E agora,
 o que será de mim?!

Vivo neste desconforto

Vivo nesta inquietação

Vivo nesta insegurança 

Estou em constante estado de vigia, numa procura incessante, de como fugir... dessa cruel que está sempre à espreita. A fitar-me... com as garras de fora, para agarrar-me.

Tudo em mim, dói!

Doi-me a solidão deixada em silêncios vazios, p'los cantos da casa e da alma... 

Doem-me os reflexos tardios nas rotinas do dia-a-dia

Doem-me as saudades que tanto pesam num corpo a mirrar... flectido...curvado

Doem-me as noites mal dormidas que insistem em pensamentos desalinhados, com tantas vigias

Doem-me os cansaços desarrumados com tantas mudanças

Doem-me as despedidas desta vida que ainda não consigo aceitar

Dói-me o reconhecer, este rosto enrugado... envelhecido... que o espelho persiste em refletir e eu não quero admitir.

Porque há algo em mim que recusa acomodar-se...

Com a voz embargada, mas com a coragem que me assiste, quero perceber o que está a acontecer.

Pergunto à senhora professora que muito me tem ensinado: 

-Oh, vida! Quem sou eu agora, para além da companhia desta velhinha, que o tempo me trouxe?!

A voz sábia prontamente respondeu:
- És um corpo doente... a prazo... mortal...
Numa alma de criança... imortal! 

Eu distraída...
despreparada... desesperada...
Dou ouvidos à voz que tenho cá dentro, que sussurra para mim:

- Abre-te ao que está para vir. Não temas!  Aceita! 
Não podes fazer nada... A vida é mesmo assim!

Maria Fernanda Ramires 🌻 
Imagem via Pinterest 

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