DEIXEI DE SER ESCRAVA
“A liberdade é a possibilidade de isolamento. (...) Se te é impossível viver só, nasceste escravo.”
(Fernando Pessoa, in "Desassossego")
Sou uma recente refugiada, no isolamento da solidão.
Enchi-me de coragem. Deixei de ser escrava!
Estou a habituar-me a ficar só. Não foi por escolha. Foi por necessidade. Foi por desgaste. Foi por sofrimento.
Cansei-me... Adoeci...
Depois de ter sido tão pontapeada, compreendi que afinal nem toda a companhia é amor e nem todo o vínculo é companheiro, muito menos, companhia.
Confesso, no início foi muito estranho e amedrontava-me.
O barulho não mais tapava o que me doía.
Sentir-me sozinha a ultrapassar as carências... as inseguranças... os medos...as feridas...
Nada fácil!
Apenas, poder contar simplesmente comigo e habituar-me só à minha presença...
Apenas, ouvir só a minha voz, no silêncio que me cerca a perguntar-me como estou?... O que faço?!... Como faço ?! ...
Apenas, segurar-me só com a força da minha vontade e das minhas mãos...
Apenas, confiar só em mim para os desafios diários que a vida me traz...
Mas ...
Todos os dias, fico surpreendida com a capacidade de resiliência que esta nova forma de estar, me dá.
Todos os dias, aprendo a escutar e a respeitar a minha voz. A minha vontade. A confiar mais em mim.
Todos os dias, aprendo a superar os meus limites que julgava serem maiores.
No silêncio da solidão, fortaleci!
Agora... não a temo. Valorizo-a!
Hoje... é o meu melhor refúgio.
Nela... sinto a paz. A paz de espírito que tanto ansiava e a calma que me traz.
Descobri, também a minha auto-estima que há muito se encontrava perdida.
Cheguei à brilhante conclusão: mais vale ficar em paz sozinha, no aconchego da solidão, do que alimentar continuamente, uma relação de guerra marcada por conflito, desrespeito, ansiedade e esgotamento.
Tenho razões suficientes, no refúgio da minha solidão, para não ter qualquer medo e estimar a minha companhia.
Para além da paz... sinto liberdade que há muito não a tinha.
✍️Maria Fernanda Ramires ❣️
Imagem via Pinterest
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