OS MEUS SESSENTA E MAIS ALGUNS- Enquanto Há Vida.... Há Escolha




Dizem por aí , que os da minha geração,  são AGELESS ( sem idade). 

Pois bem,  chegada aqui... o meu corpo diz que o percurso já vai longo, mas... eu acho que não! Enquanto a vida não desistir de mim , é claro que eu não desisto dela.

Apesar de ter trilhado um caminho cheio de curvas, tropeços, vitórias, lágrimas, risos,  a carregar tantas e tantas vezes o mundo às costas. Sentia (estupidamente) que era essa a minha obrigação, o meu dever. A minha missão! 

Uns dias mais fáceis, outros menos, com mochilas carregadas do que não me pertencia, sobrevivi. Tantos anos de entrega, esquecendo-me de mim.
Para que outros pudessem ir mais além...

Hoje, os batimentos do meu coração são fraquinhos. E as pernas já não correspondem aos meus desejos. Os músculos travam-me o andar. Por isso, deixei de poder correr. O passo das minhas passadas, muitos dias tenho de  abrandar ... abrandar sem querer! 

Mas... ainda por cá ando, (sei que estou a aproximar-me do fim) sem  dar demasiada importância às mazelas que me querem derrubar. Desgastam-me... corroem-me...sem que eu dê, por me curvar. 

Chegada a esta fase (a última) de tantas que já ultrapassei, a minha teimosia em continuar, dita-me urgências de mudança! 

Velha não me sinto. Talvez seja do espírito não condizer com a minha condição física!

Nem tudo foi ou é como eu desejava ou desejo. Sem pretender " ruminar" episódios  ou acontecimentos e alimentar dramatizações ...paro em silêncio. Observo. Analiso. Tiro conclusões. Aceito. Deixo ir ...sigo adiante ...com a lição aprendida.
É este o valor que lhes dou!

Não sei se pelo cansaço por me ter dado demasiado e muito correr em prol dos outros ou pela máscara da indiferença  por ter colhido demasiada ingratidão...Agora...fecho portas às urgências e ao que não me faz bem.
Tornei-me extremamente seletiva. 

Já não é com qualquer "coisinha" que gasto, ou melhor, desperdiço o meu precioso tempo. Já tenho pouco. Sou economicista.

Dou primazia aos meus sonhos. Até ao derradeiro momento, ainda estou viva. 

Já não me desgasto por quem não valoriza o meu esforço. Muito menos com gente ingrata.

Não me anulo para caber no mundo de alguém e agradar a quem quer que seja.

Sou respeitosa. Não aceito desaforos de ninguém e muito menos confusão. Afasto-me.

Respiro fundo... retempero a alma.
Sigo adiante, sem me deter nas cicatrizes das feridas que me cobrem o manto.

A maturidade e as dores, fizeram-me entender que a paz de espírito é  um bem valioso que cuida do meu equilíbrio.

Procuro encontrar novos horizontes, onde sinta ventos de mudança  que me façam bem e  que tragam a paz ao meu ser.

É chegada a minha hora! Cuidar do que resta de mim. Sorrir mais e preocupar-me menos.
É tempo de viver ao meu ritmo, com mais leveza, com mais prazer e fazer o que gosto! Em tranquilidade e conforto, sem dar primazia ao que quer que seja, para além de mim.

De coração fraquinho e  pernas a quererem travar-me o andamento,  Mas... Sem me sentir velha, projecto o meu olhar para um novo horizonte e  ofereço  ao meu ser um lugar de primazia,  que deveria ter tido sempre! 

Agora?! É que te colocas em primeiro lugar, de tudo o mais?!  Admirada, sussurra-me a voz da razão.
Eu sei! Um pouco tarde! Enfim....talvez seja  tarde. Mas... "mais  vale tarde do que nunca"! Respondo-lhe.
Enquanto há vida... há escolha.
Desta vez, escolhi-me a mim!

Quem me ama de verdade, compreenderá. Se não compreender "temos pena". Não preciso de provar mais nada para ninguém.

✍️Maria Fernanda Ramires 🌻 
In "Reflexão"


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