ESCOLHA
Ao longo dos anos, ao suportar o insuportável, fui perdendo a esperança de encontrar no outro, aquilo que julgo ser o melhor que tenho em mim: amor...empatia... compaixão... paciência...
Tenho partilhado a vida com quem tem dificuldade em encontrar a paz. Com quem prefere viver em negatividade... acusação... Confusão... drama... ódio...
Com quem vive num caos emocional absoluto
Procurando vítimas, através da rejeição...
Do palavreado insinuoso e insultuoso...
Discursos manipulativos, baseados em meias verdades...
Com o dedo acusatório, sempre em riste a quem o ousa enfrentar.
Escondendo-se atrás da pele de vítima, vestindo a intensão de lobo.
Eu, em vez de ir embora...
Fugir...
Acreditei que poderia salvar quem não quer ser salvo, oferecendo o meu amor e a minha resiliência, como se o amor curasse as feridas abertas a quem não as quer curar
Fui ficando, tal como o sapo da história...
Grande ingénua que fui!
A boa samaritana empenhou-se em cultivar o amor, a empatia, a compaixão, a paciência...
Como se o amor fosse um teste de resistência, insistindo em permanecer na relação doentia, com a esperança que a curasse e se tornasse mais leve. Mas não foi!
Afundei!
Afundei com um grande hematoma emocional, no "fundo do poço".
O corpo sentiu
O peito apertou
A alma gritou para me afastar e tentar preservar a minha energia e dignidade.
Lá...
Naquele lugar escuro, lavada em lágrimas de dor, encontrei um grande aliado dentro de mim - o silêncio.
Como ele me tem sido útil...
Tem sido um verdadeiro mestre!
Com ele, na ordem do meu dia, aprendi a observar mais e a reagir menos
A calar, em vez de explicar, para quem não tem interesse, em me dar ouvidos
Aprendi a deixar o que não merece resposta, seguir o devido rumo
Aprendi a desapegar...
Aprendi a ser realista!
Enfim... aprendi a proteger o meu ser!
Agora...
Sei que nem toda a guerra vale a batalha
A paz com que faço questão de me presentear diariamente
Vale mais do que os orgulhos e os ódios doentios, obsessivos...
De quem prefere encontrar neles, a sua zona de conforto!
O meu silêncio não é uma rendição.
Não!
É uma escolha consciente
Para o desrespeito perder espaço
Para salvar a minha paz
Para o meu amor, finalmente encontrar o seu lugar.
Aprendi a escolher-me. Aprendi a amar-me.
Aprendi a lidar com o amor-próprio!
✍️Maria Fernanda Ramires 🌻
Imagem via Pinterest
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