MENSAGEM PARA OS IRRITADOS DA FAMÍLIA
"A vida pede consciência...pede acolhimento... Pede amor em prática!" (desconheço a autoria)
Caso a vossa sensibilidade não lhes permita entender, (imaturidade emocional?! ) quero ressalvar que o meu corpo mudou com a passagem dos anos que já viveu.
Desgastou-se pelo trabalho e esforço de uma vida inteira. E pelas doenças que contra a minha vontade, se instalaram.
Passei a andar devagar, cheia de dores que eu sinto, calada.
Ultimamente, a minha força e agilidade diminuiram drasticamente. Tarefas simples passaram a ser desafios constantes.
A minha memória trai-me sistemáticamente.
A parte melhor, é que passei a comer pouco. A degustar e digerir lentamente. Faço pouca despesa.
O silêncio passou a ser o meu maior aliado.
Não me atrevo a dar opiniões e muito menos conselhos. ( É certo que não os pedem). "Não meto foice em seara alheia". Aprendam com as cabeçadas, tal como eu aprendi!
Tenho consciência, por sentir na pele, que a minha vulnerabilidade aumenta, na proporção direta da soma dos meus aniversários. Condição inerente a todos. Não sou diferente!
Contudo, o meu olhar vê ( apesar de só ver de um olho) e a minha percepção sente (compensa o olhar), tanta incompreensão.... Tanta irritabilidade... Tanta impaciência...Tanto afastamento... Tanta ingratidão... com a minha pessoa. Pasme-se... até recebo encontrões! (Tenho boas raízes. Não caio facilmente.)
Fico atónita e magoada com tais reações. Que de tão desproporcionadas, fico horrorizada! Sabendo eu, que as atitudes dizem muito de quem as tem e não de quem as recebe.
Contudo, a minha compaixão, perdoa! Perdoa sempre! Mesmo...saindo de cena.
Por enquanto não sou dependente.
Mas...tais atitudes fazem-me pensar que já me vêem como tal - mesmo ainda não o sendo. É certo que estou fragilizada com tanta limitação à minha condição e não lhes podendo dar a minha utilidade que sempre lhes ofereci, não quero receber o que por agora, querem oferecer-me. Dispenso.
Mas...que raio! Será que me vêem apenas como utilitária"?! É a pergunta que faço tantas vezes a mim mesma.
Pois bem! Seja lá como for, fica a mensagem escrita!
"A carapuça só enfia a quem lhe serve"! Já dizia a minha avó.
Espero que compreendam que o meu envelhecimento não é para vos incomodar, muito menos para vos chatear. É por já ter vivido muito. Privilégio?! Talvez!
Que a minha fragilidade não serve para sofrer humilhações.
Pela lei da vida, também um dia tudo isto, lhes pode bater à porta! - Desejo que não.
Depois... Mais tarde... talvez a consciência vos venha lembrar...e quiçá, pedir contas... porque a vida devolve... e às vezes é em dobro!
Depois...depois...é tarde para arrependimentos!
✍️Maria Fernanda Ramires 🌻
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