A FORÇA DO AMAR
Hoje
No arrumar de gavetas, revisitei álbuns guardados com fotografias da infância das minhas filhas.
Ao olhar cada foto, o meu coração apertou e a lágrima teimosa escorreu, pela imensa saudade de senti-las assim bebés... crianças.
Que imensa saudade do calor do seu abracinho; da maciez da sua pele de bebé; das suas gargalhadas; das nossas brincadeiras; das primeiras palavras; dos primeiros passinhos...
Há tão pouco tempo
eu era conhecida pela "mãe da Rute " e quinze anos mais tarde, quiz Deus eu era também a "mãe da Rita".
Elas eram as protagonistas.
Ninguém parecia saber o meu nome!
Há tão pouco tempo
enchia-se a casa com a sua empolgação; com as suas brincadeiras; com os amigos; com as festas de aniversário...
Ainda ecoa em mim aquele chamamento insistente de atenção:
- "Ó mãe!" "Ó mãe!"
Mãe para isto... mãe para aquilo...
E eu andava numa "roda-viva". Era cuidadora; educadora; professora; conselheira; cozinheira; motorista...
Na pressa do dia, entre tantos afazeres,
lá ia eu levá-las à creche e depois para a escola, para aqui e para ali... Para as mil e uma atividades.
Eram o centro da minha vida e eu da vida delas.
Hoje... adultas
Sobra a saudade... o silêncio... a casa vazia.
Não me preparei para isto!
Neste silêncio dorido
tantas e tantas vezes, engulo a vontade de lhes ligar, para lhes ouvir as vozes.
Sinto a dor, mas finjo que não dói quando já não faço parte do "tudo", como antes.
Neste amor invisível,
há uma vontade imensa de estar presente, sabendo de antemão que sou descartada por já não ser precisa.
Ao mesmo tempo,
floresce em mim um sentimento de orgulho e de gratidão que não cabe em palavras.
Orgulho e gratidão,
pela forma como cresceram... como pensam... Como se inserem na sociedade...
Quanta felicidade!
Como mãe,
por mais anos que passem e descartada que seja, contínuo a cuidar na sombra.
E na calada da noite, em oração, peço a Deus a sua divina proteção.
Sinceramente,
não estava preparada para este silêncio ensurdecedor que as minhas filhas adultas têm deixado sorrateiramente, em casa e em mim.
Com a força do amar, tenho aprendido a resistir.
A vida é assim... passa vertiginosamente!
Mas...
Há amores que o tempo e o silêncio nunca levam! ❤️
Maria Fernanda Ramires ❣️
Obrigada MÃE ❤️
ResponderEliminar,🥰❤️🌷🍀
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