ORGULHO E SAUDADE
Nasci no calor dos dias grandes. Dias de calmaria sob o jugo intenso de um sol ardente e de um céu contemplativo de liberdade, tal como as nuvens que o habitam, naquela região feita de extensas planícies que outrora foi conhecida pelo "celeiro da nação".
Fui parida do ventre de gente resiliente num esforço contínuo de trabalho árduo marcado pelo ritmo duro da labuta da lavoura às intempéries do rigor das temperaturas do verão e do inverno.
Vim num tempo em que o silêncio da planície era interrompido pela cadência do barulho das rodas das carroças, em que a musicalidade dos grilos e das cigarras animavam a noturna calma do estio. Desde o nascer ao pôr do sol se sentia a azáfama que emergia da tranquilidade dos campos em que o cante ecoava da energia escondida das entranhas das suas gentes ao compasso do trabalho com a foice ou o sacho nas courelas preenchidas de trigais salpicadas de vermelhas papoilas.
No coração guardo rostos, gestos, cheiros, palavras... memórias.
No meu olhar estão gravados retratos vivos de uma calma infinita que transborda em cada ser alentejano.
Carrego na alma a herança deste povo, viva na identidade e dialeto, entrelaçada no sentimento com raízes profundas de pertença que se perpétuam no orgulho e na saudade que ostento.
✍️ Maria Fernanda Ramires ❣️
Imagens via Pinterest
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